Estresse envelhece e adoece

Estudos e pesquisas mais recentes tem demonstrado que há uma influência direta com a mente e o corpo e vice – versa.
No nosso cérebro há uma estrutura chamada Hipotálamo. O hipotálamo possui vias de ligação com todos os níveis do sistema límbico.

A ligação intrincada entre o cérebro e o sistema endócrino influencia amplamente a nossa saúde, onde o nosso estressante estilo de vida pode vir a sobrecarregar o eixo HPA e este é o gatilho suficiente para desencadear vários problemas.

O nosso organismo tem capacidade de suportar até determinada carga de estresse, considerando as respectivas individualidades, onde em momento de perigo somos treinados a lutar ou fugir. Caso ultrapassemos nossas condições de suportar esta situação, aí há uma sobrecarga e disfunções decorrentes em virtude disto.

estresse envelhece

O cortisol é considerado um hormônio do estresse, responsável em ativar as respostas do corpo diante de situações de perigo para ajudar as reações físicas aos problemas, aumentando freqüência cardíaca, pressão arterial e a glicose sanguínea, propiciando energia muscular. Num momento de perigo o cortisol ativa todos estes comandos acima e em contrapartida todas as funções anabólicas de reconstrução, recuperação e renovação são inibidas e o organismo se concentra para obtenção máxima de energia direcionando para o metabolismo catabólico. Sendo o estresse pontual, superada a situação tudo volta ao normal, mas quando isto se prolonga, os níveis de cortisol no organismo disparam. O cortisol é fundamental para saúde, mas em grandes quantidades ou na sua falta pode levar ao envelhecimento precoce ou amentar o risco de desenvolvimento de várias doenças.

ESTRESSE E SUAS CONSEQUÊNCIAS

1 – Envelhecimento: tanto o estresse quanto a depressão possuem uma característica em comum: um encurtamento precoce dos telômeros, que é o indicador cromossômico do envelhecimento do organismo. A conclusão é que, assim como pessoas estressadas tendem a envelhecer mais rapidamente, aquelas que têm depressão correm os mesmos riscos. Uma pesquisa mediu os níveis de telomerase e radicais livres em pessoas estressadas e os resultados foram níveis baixos de telomerase e níveis altos de radicais livres, substâncias que danificam os tecidos intensificando o envelhecimento.

2 – Câncer: evidências a partir de modelos animais e estudos humanos sugerem que o estresse e a depressão resultam numa diminuição do sistema imune e pode promover a iniciação e progressão de alguns tipos de câncer pela ativação do Sistema HPA. Os mediadores liberados durante o estresse crônico suprimem algumas partes da resposta imune, comprometendo a eficácia da resposta contra tumores.

3 – Coração: doenças cardiovasculares são as principais causas de mortalidade, sendo que entre as principais causas está o estresse dentre as pessoas acometidas por estas patologias. Em situações de estresse há o aumento na secreção de citocinas pró-inflamatórias além da instabilidade e isquemia miocárdica relacionada ao estresse mental. O estresse crônico pode ser um fator independente para doenças cardiovasculares, em especial, acidentes vasculares cerebrais fatais.

4- Depressão: Os níveis séricos do hormônio cortisol estão aumentados  no paciente deprimido, podendo participar na gênese. Os estudos recentes sugerem que a depressão é um fator de risco não somente para o desenvolvimento da doença coronariana (DAC), mas também, para a mortalidade entre os pacientes que tiveram um infarto do miocárdio.

5 – Alzheimer: níveis altos de estresse, que elevam cortisol, podem desempenhar um grande gatilho para desencadear esta patologia. Isto porque elevados níveis de cortisol promovem degeneração de neurônios e diminuem a memória. Esta condição debilitante atualmente afeta mais de 15 milhões de pessoas no mundo.

6 – Obesidade: vários estudos demonstram que altos níveis de cortisol estão relacionados também a obesidade central. O eixo HPAS hiperativo, devido ao estresse, aumenta o cortisol, e que contribui para a compulsão alimentar e obesidade abdominal.

A NUTRIÇÃO FUNCIONAL NO COMBATE AO ESTRESSE

Ter bons hábitos alimentares é fundamental para manutenção da saúde e combate a doenças e envelhecimento precoce, porém especificamente em situação de estresse crônico onde o objetivo é controlar o máximo os altos níveis de cortisol e manter o eixo HPA para resgatar o equilíbrio do organismo, alguns nutrientes e minerais essenciais ao corpo específicos devem estar presentes em quantidades maiores, uma vez que podem auxiliar este processo de forma eficaz. Lembrando que a mineralização adequada ao corpo é capaz de evitar mais de 200 doenças.

São eles:

  • Vitamina C: frutas cítricas (acerola, laranja, abacaxi, limão, kiwi);
  • Fosfatidilserina: fígados, sardinha, coração de boi, atum, feijão branco;
  • Ômega 3: peixes de água fria (sardinha, arenque, salmão, nozes, castanhas, linhaça);
  • Magnésio: aveia, arroz integral, lentilhas, amêndoas, vegetais verdes escuros;
  • Folatos: vegetais verdes escuros, fígado, feijões.

Ervas adaptogênicas: modulam os níveis e a atividade de hormônios e neurotransmissores do cérebro que afetam a atividade cardíaca, dor, pressão arterial e aumentando a resistência, produzindo respostas normalizadoras quando submetido ao estresse. Rhodiola rósea.

Há possibilidade de se fazer suplementações utilizando estas substâncias acima, porém para isto é necessária uma avaliação de um profissional nutricionista ou de um médico.

A prática regular de exercícios físicos e a meditação são muito importantes para complementar o tratamento.

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